segunda-feira, 4 de maio de 2009

A ÚLTIMA CARTA


"Eu prometo: fecharei meus olhos para não ver nada. E você, continue fingindo que me ama. Prometo nunca mais tocar no assunto em nome da nossa paz necessária. E aceito seu jogo de faz-de-conta. É nosso trato. Nosso pacto silencioso. Eu sei que você concorda. Você sabe que eu aceito.

Abro mão dos meus planos e das minhas fantasias. Omito-me os meus sonhos sentimentais. Prometo sofrer calada e chorar intimamente, mas só por hoje. Prometo não cobrar nada e manter na face, de agora em diante, o mesmo ar de tranquilidade dos que conquistaram, dos que conseguiram.

Meu coração há de entender não lhe darei escolha. Em todo caso, se não entender, prometo fielmente não transparecer, nem no olhar perdido, nem no tremer da voz, nem nos gestos contidos... nunca. Serei eternamente fiel ao nosso acordo de paz.

Prometo aceitar compreensivamente cada ausência.

Prometo não sofrer de ciúmes.

Prometo, ao invés de falar, calar.

Comprometo-me a compreender as faltas e os atrasos quantos forem e dispenso as justificativas. Estás eternamente perdoado!

Prometo não cobrar nem atenção, nem carinho, nem cuidado, nem ajuda, nem lealdade, nem nada. Nem promessas ou projetos antigos pra nós dois.

Prometo: meu amor será seu eternamente. Prometo cobrir-me de flores e presentear-lhe com o mais perene e manso dos semblantes... um semblante de paz.

Sim, prometo-lhe a paz dos que amam. E a mim a paz dos que dormem.

Descanso em paz. "
(A última carta - WallaceLemos)

Nenhum comentário: