domingo, 29 de novembro de 2009

Chão



 
Minhas incertezas... Não sei onde estão hoje.
Nem o que você fez com elas.
Minhas dúvidas mais intensas...
Dissolveram-se nas tuas respostas confusas.

Meus traumas de infância...
Minhas neuroses...
Minhas paranóias pessoais...
Fugiram ante a tua certeza louca das coisas.

Minhas convicções...
Abalaram-se todas!
E meus preceitos incontestáveis se renderam
À tua inconseqüente vontade de viver.

Meu desespero... No teu olhar
Vira calma.
E meus medos... Assustam-se.
E se vão... Um a um.

Descobri que minha solidão
Já não existe.
Você veio...
Para deixá-la só.

Encontro-me...
Onde antes só me perdia fingindo me achar.
Mas também me perco...
Por pura escolha,
Nos teus labirintos secretos.

Rio-me e choro-me...
Mergulho nas águas correntes
Desse rio de emoções desconexas
E perfeitamente inexplicáveis.

Afogo-me de propósito...
E deixo-me salvar depois.
Pra experimentar o reviver
Ao ouvir tua voz de ânimo.

E assim revivo.
E vivo...
E vou vivendo.

(Chão - WallaceLemos)



terça-feira, 3 de novembro de 2009

Haverá Dia


Certamente haverá dia.
Mesmo após a longa espera haverá dia.
Afinal, sempre foi assim.
Então durma.
Repousa tua cabeça quente,
Teu corpo cansado,
Teu coração temeroso.
Mesmo com a escuridão lá fora...
(ou aí dentro).
Sossega tua alma na certeza...
De que, logo cedo, os raios de vida
Certamente insistirão em invadir cada fresta,
Cada brecha,
Na tua forçada noite escura de agora.
Daí então,
Restará a ti, apenas, abrir os olhos.
Es as cortinas,
E as janelas,
E as portas.
Vive!

(Haverá Dia - WallaceLemos)